Quantas vezes o coração materno e também o paterno se debruçam sobre o caixão de uma criança e chorando clamam a Deus perguntando o por que de tal sofrimento. Por que aquela criaturinha acabou de se despedir do mundo, deixando corações amigos em sofrimento?
Ouvimos
com a Doutrina Espírita, que os espíritos, imortais como são,
passam por inúmeras experiências, e entendemos que assim o seja.
Mas, o grande problema na alma humana é a sensação de perda
que se tem, geralmente, não planejada, que provoca nos corações
dos pais o maior sofrimento. Intuitivamente, eles sabem que aquela criança
que parte estará prosseguindo em suas existências e viverá
para sempre. Isto é intuitivo. Dificilmente um pai ou uma mãe
ao ver um filho morto, pensa que ele não vai mais sobreviver. Embora,
eles sabem que haverá sobrevivência. Mas, e esta é a pergunta
que fica no ar: E nós pais, sobreviveremos a ausência de
nosso filho?
Geralmente os pais não se dão conta das perdas. Mas a terrena
sociedade é assim mesmo, cheia de perdas, de dores, de sofrimentos.
Será então, que não devemos sofrer pela perda de um filho, ou por qualquer que seja a perda? Sim, devemos sofrer, porque a dor de um sofrimento, ela deverá produzir no homem uma espécie de renovação das idéias, de sentimentos e uma transformação na qualidade do ser. Quem não fizer essa transformação, quem não aprender com esta renovação, perderá parte da experiência. Ficará com a parte da dor, mas não ficará com a parte do aprendizado.
As perdas devem ser encaradas por nós, como aprendizado para o nosso espírito. Devem ser momentos de reflexão, de entendimento, de auto-análise, de melhoria interna.
Quando fizermos isso, encararemos as perdas, quaisquer que elas sejam, de crianças, do companheiro próximo, dos pais, dos irmãos, como continuidade da vida e nós diremos saudosamente assim: Adeus alma querida, adeus. Mas nunca adeus para sempre.
E aí, aprendendo com Jesus, que triunfou da morte, aparecendo vivo para os seus discípulos e para todos aqueles que intimamente esperavam que realmente, ele sobrevivesse, falaremos assim: Eu venci a morte.
Ora, uma das coisas que a Doutrina Espírita traz para o homem, visto de um ponto de vista individual ou coletivo, é justamente, a noção de sobrevivência, de visualização de perdas e traz também, aquela certeza, de que ninguém estará só nos momentos de suas dores e saudades. Como ninguém estará só nos momentos de seus testemunhos.
As perdas são dolorosíssimas para aqueles que perdem, mas não esqueçam: ninguém está só. Guias espirituais se movimentam para ajudar as pessoas que permanecem na Terra, amigos, parentes. Não raro o próprio desencarnado acompanha nos primeiros momentos, ou nas primeiras horas, àqueles que acabaram de ter perdas. E fazem mais, animam aos corações, porque eles próprios se vêem vivos.
Há casos claro, de pessoas que não sabem o que lhes acontece no momento da morte. Mas tenham a certeza, há muito mais casos de pessoas que sabem, do que possam vocês imaginar.
Assim meus irmãos, preparemo-nos para as perdas. E como é que uma pessoa se prepara para perda, seja ela qual for, moral, material, seja qual for? Ele se prepara para a perda, justamente, acreditando na vida daquele que se foi, como um sobrevivente e do que fica, como aquele que há de lutar para manter viva a chama do amor que nunca morre.
E com esta visão de amor que nunca morre, todos levantarão os olhos para o céu e dirão do fundo do coração: Meus Deus, muito obrigado porque me experimentastes pela dor. Mas meu Deus, tenho a certeza de que tu estais ao meu lado me confortando, consolando e sustentando na continuidade da vida.
Aos que perderam ou aqueles que viram partir os seus, e aqui existe uma imensa maioria, senão a quase totalidade, já viram alguém partir. Que todos digam do fundo do coração em exaltação à vida: Deus existe e é bom. E nós sobreviveremos a todas as dores, porque temos a certeza de que tais dores, são necessárias ao progresso ou fazem parte do processo de aprendizado das nossas almas.
E que esta luz tão bela que ilumina a todos, que sustenta a todos, que conforta a todos, que comove a alguns, mas que com certeza ampara a todos, continue nos seus corações, saudando a todos com a imagem da vida sempre, da vida imortal, a vida que nunca desaparece.
Que a paz desse bondoso Deus que nos sustenta a todos, anime e abençoe aos corações que nos ouvem. Muita paz.
(Mensagem Psicofonica recebida pelo Médium Altivo C. Pamphiro, no CELD, RJ, 22/11/2003)