Anjos, demônios, criações do homem para explicar o sobrenatural, o maravilhoso.
Bastaria que o homem pensasse um pouco para descortinar sua própria existência no mundo espiritual. Bastaria que ele olhasse para suas próprias condições, seus atos, seus pensamentos e, descortinaria o mundo dos espíritos, desde que, evidentemente, tivesse ele a certeza da sobrevivência da alma.
Ele veria que todos aqueles, bons e maus, que se apresentam a ele, nada mais são do que as almas que partiram um dia da Terra, na direção do mais além. E quando olhamos da superfície do Planeta para o infinito, realmente, sentimos uma enorme distância. Parece-nos nada haver. Pontos cintilantes, beleza incomensurável. Mas e o ser humano, onde está? É a pergunta que o homem primitivo fez e é a pergunta que muitos hoje ainda fazem. Onde estão as almas que se foram? O que existe para além daquilo que meus olhos alcançam? E quando o homem assim age, ele o faz porque é incapaz de perceber que existem outras fontes de vida, outras possibilidades de ver, que não a dos olhos terrenos.
Por lhe faltar essa capacidade, por lhe faltar a percepção de que existe alguma coisa além dele mesmo, é que o homem inventou a história dos anjos e dos demônios. Ah! sim, eles sentiam também na própria pele, no ambiente em que estavam, o resultado de muitas ações externas, que eles não percebiam, não se davam conta. Sentiam a força de uma prece sobre si, tanto quanto sentiam o resultado de uma maldição qualquer. Não conseguindo olhar além dos seus olhos, para ele, só havia uma explicação: o sobrenatural.
Vejam vocês meus irmãos, como todos nós já fomos. Como já somos capazes de pensar assim.
Agradeçamos, nos dias de hoje, à Doutrina Espírita, que abriu os nossos olhos para a realidade do mundo invisível, que mostrou-nos a imensidão que existe no céu e que está povoada de seres, seres que não podemos adivinhar sequer como são, quem são. Seres que não podemos avaliar a força, o poder, a bondade.
Mas também há nesta abóbada seres inferiores, provavelmente, mais inferiores que alguns homens terrenos. Então, a abóbada é povoada por imensa maioria de espíritos que caminham na direção de Deus, tais quais nós mesmos caminhamos.
Assim, a visão de anjos, de demônios, fica inteiramente superada quando descortinamos que se existem seres acima de nós, existem aqueles também que sabem menos do que nós ainda. E vamos percebendo nesta beleza de raciocínio espírita, vamos percebendo que todos somos itinerantes do progresso.
Ah! meus irmãos, o dia que a criatura perceber exatamente, que ela é um ser itinerante do progresso, ela jamais levantará o dedo acusador para dizer que os demônios a impedem de caminhar. Mas estenderá as suas mãos para aqueles seres angélicos, como quem diz: ajudai-me.
Falta ao homem a visão do seu progresso, da sua caminhada, do seu ser. Falta ao homem a noção de que ele, apenas, está vivenciando a experiência do progredir.
Na medida em que nós formos compreendendo todas essas situações de bondade, crueldade, inferioridade, infelicidade, mas ao mesmo tempo de beleza, de elevação, de encaminhamento, nós vamos nos situando. Situando a nós mesmos, perguntamos: Onde estou eu? Entre aqueles seres que ainda tateiam buscando a elevação? ou entre aqueles que já caminham na direção do bem? Paramos e meditamos, indagamos de nossa alma: Que fazes? Que pensas? Para quem trabalhas? Que és? E da resposta que obtivermos, se trabalhamos para Jesus, se pensamos no bem, se agimos com critério e se aproveitamos todos os atos de nossa vida, sentiremos que somos itinerantes do progresso sim, já na estrada da elevação. Não somos mais aqueles itinerantes que chafurdam na lama, nem aqueles que andam somente entre pedras. Não, esta fase ficou para trás, deixamos bem para trás toda esta fase e agora só nos interessamos pelo infinito, pela elevação. Neste momento, exatamente neste momento, nós sabemos que estamos a caminho do bem, da eternidade com Jesus. Aí, talvez alguns de nós digamos assim: Já sou anjo! Ah! mas qual que. Na medida em que ele crescer, que ele avançar mais um degrau; na medida em que ele chegar a planos superiores, olhará para o infinito e verá outros planos e mais outros planos e sempre planos mais elevados e dirá, talvez com um pouco de tristeza, mas certamente com segurança: Ah! quanto me falta caminhar para chegar à Luz.
Mas espíritos determinados olham para frente, olham para trás, olham para si próprios.
Atrás, o passado. Hoje, olhando para si, o presente. O futuro está aberto a todos nós. E assim, não nos consideraremos anjos, mas diremos para nós mesmos: Alma, caminha, não te detenhas, não te percas no passado, nem te envolvas com as dores do presente. Olha sempre para frente, mira um ponto no infinito e para lá te encaminhes. Olha para Deus, para um espírito superior que soubeste colocar acima e digas para ele: cheguei até os teus pés e te peço, anjo de bondade, ajuda-me nesta caminhada.
Neste momento, quando sentimos que já somos capazes de olhar para este infinito e nos encaminharmos para ele, certamente, aqueles bons espíritos que presidem o nosso progresso sorrirão, nos ajudarão e dirão: Vem alma, vem! Aqui estamos te esperando, para abraçar-te, num abraço infinito do bem. Nesta força de caridade, nesta bênção de amor. Graças a Deus.
Que Jesus Cristo nos ajude e nos abençoe a todos.
Antonio de Aquino, vosso amigo e irmão. Muita paz.
(Mensagem Psicofonica recebida pelo Médium Altivo C. Pamphiro, no CELD, RJ, 16/08/2003)